sábado, 21 de março de 2009

O outono chegou



'É no outono que a natureza ensina ao homem que morrer é natural."



Ontem acordei pontualmente às seis horas, demorei no banho,como de costume, e tomei rapidamente o café da manhã. Os meus pensamentos eram processados porque eu ainda me encontrava naquele estado meio acordada, meio dormindo... Foi quando eu coloquei os pés pra fora de casa e percebi uma mudança em volta. O clima estava mais fresquinho, uma brisa leve que levantava meus cachos, o sol lutando para se desvencilhar das nuvens branco-pálidas. Se o céu fosse um grande quadro, com certeza o artista teria usado uma tinta azul claro e dado pinceladas rápidas para compor as nuvens. O outono começara e com ele chegava uma boa sensação, de disposição e mudanças. Explico: o outono é uma estação de transição, do verão para o inverno, sendo que, aqui abaixo da linha do Equador, ele se inicia em 20 de Março e termina em 21 de Junho. Minha estação preferida, diga-se de passagem. Eu nasci em pleno o outono e adoro esse clima inspirador, um tempo para reflexão. Sim, ele dá um tom introspectivo, mais solitário também. Tempo reservado a minhas idéias e avaliar tudo o que fiz até então. Com a chegada do outono e consequentemente do meu aniversário, essas questões são mais constantes. Ver que mais um ano se passou e colher os frutos das minhas proezas, os resultados das minhas escolhas, perceber que as vezes eu preciso ser mais firme em minhas decisões para não voltar a erros cometidos no passado. Esse hábito de pensar muito e analisar os prós e os contras parece até coisa de "gente velha". Pensando assim, até faz jus essa estação ser associado a velhice. Bobagem! Além disso, não há nada mais gostoso do que ir a um parque na tarde de outono, ver as folhas amarelas caídas, o solzinho morno, e ao seu lado alguém querido para um bom bate papo. O outono me traz um conforto indescritível. E foi esse conforto que senti na manhã de ontem e sentirei nos próximos dias! Por isso não pude me conter e cantei uma musiquinha aprendida na 1ª série B do antigo colégio Chafic:
"O outono chegou
e chegou para ficar!
Foi se embora o verão,
que se foi mas vai voltar.
No outono as folhas caem
mas os frutos vão brotar
e com ele a alegria
da merenda escolar!!"






segunda-feira, 2 de março de 2009

Eu, Shil P., blogueira e compositora

Tem dias em que passo a maior parte do tempo relembrando momentos divertidos ( ao menos tento, porque tirar do fundo do baú coisas boas está difícil ), aqueles em que me fazem rir instantaneamente quando trazidos para o presente. As pessoas do ônibus devem me achar lelé da cuca afinal porque diversas vezes ria sozinha ao me lembrar de um fato engraçado. Uma das coisas mais legais eram as composições, ou melhor dizendo, as paródias que criávamos para trabalhos escolares. A princípio o grupo era formado por mim, Talitinha, Leila e Évelyn, no longínquo ano de 2001, no 1º B do Ensc. A professora Cidinha propôs que formássemos grupos fixos, com direito a um nome e um hino. A parte do nome foi meio complicado, mas por fim nosso grupo foi batizado de "Angel's Gasganetes". Isso foi inspirado no nome original do filme "As Panteras" ("Charlie's Angels"). Gasganete, segundo o pai dos burros, significa garganta, então virou a garganta de anjo. Esse gasganete foi escolhido na cagada mesmo, alguém pegou o dicionário, o jogou para cima e abriu numa página qualquer e leu a 1ª palavra que encontrou. Imagine se o verbete encontrado fosse genital? "Angel's Genital", muy erótico...


Fácil foi compor o nosso hino, que foi inspirado diretamente pela canção tema do festival Rock in Rio ( e pasmém, naquele ano foi no Rio mesmo!). Depois de algumas adaptações ele ficou assim: "Vamos arranjar a solução/Às crianças sem educação/Fazer um geração de cdf's!/Se a escola começasse agora/A melhorar o ensino de vez/E a gente não parasse mais de estudaaaaar/Estudaaaar o Português!/Ôôô (ow!) Ele não repetiu,ôôô"


Outro clássico do nosso cancioneiro foi "É o Educandário", composto em 2002, e éramos um trio ( a Évy foi fazer carreira solo ). Era uma espécie de show de talentos, meu grupo pensou "em time que está ganhando não se mexe" e apostamos novamente numa apresentação musical. Nosso plágio, eer, quero dizer, nossa paródia foi de "Garota Nacional": "Aqui nesse colégio fechado tudo é possível/Banheiro sem papel é inadmissível/Apesar do jeito dele, mas pensando bem/Os melhores professores só aqui tem oh/Beat it laun! Daun Daun!/Beat it laun! Daun Daun!É o Educandário/N0s conhecemos aqui mesmo/E n0s damos muito bem/Em qualquer lugar estamos sempre curtindo ou brigando/Quem não briga?/Mas ignoramos bem/Seremos sempre amigas a qualquer hora ôôô".


O auge do nosso sucesso foi em 2003, com uma nova formação ( juntaram-se ao trio a Lwana e o Wagner ) e saimos um pouco da brincadeira para realizarmos a nossa 1ª ( e única ) composição de protesto! Ela foi baseada em um fato real. A professora Telma pediu que criássemos uma música narrativa, nos melhores moldes de "Faroeste Caboclo" e "Eduardo e Mônica". Um episódio ocorrido durante uma prova da mesma professora acabou prejudicando alguns alunos e temendo que esse caso acabasse em pizza, nós cantamos abertamente sobre essa situação e o quanto achávamos injusta. O nome não poderia ter sido mais apropriado: "Holocausto". Segue a letra: "Hoje é 5ª feira,dia de estudar/Prova de gramática, não quero nem pensar/Redação extensa na prova/É agora o que me espera/Exercício 1,2,3/Lá vem a Cecília e tira a prova de vocês/Tapa nas costas,tira a prova no puxão/Choro de aluno nunca teve solução/O povo ansioso esperando o diretor/Mas vem a Andréia/E na 2ª feira continua tudo igual/É nota baixa no final/O Ensc é palhaçada por causa da direção/Não tem jeito mesmo/A gente não tem solução/A Eliane vem e fala tudo o que quiser/E a gente escuta tudo/Parecendo uns manés!"
Essa singela canção mostrava como era a bagunça do colégio, o diretor responsável nãodava as caras, deixando tudo na mão de terceiros. Nota máxima garantida e uma reunião com o excelentíssimo diretor foi providenciada e assim os alunos prejudicados tiveram nova chance de fazer a redação em paz sem que uma inspetora entre na sala e arranque as provas dos alunos!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Pérolas da Malu

Esse post é todo dedicado à Maria Luiza, de quatro anos mas já responsável pelas melhores "tiradas" que eu já ouvi! Momentos fofos, hilários e desconsertantes. Quem tem crianças por perto sabe o que é ouvir a sabedoria infantil. Esses são alguns causos da Mariazinha que quero compartilhar com vocês:

Era início de 2008 e estava de férias. Não passava por um bom momento, tinha acabado de terminar um namoro, o que me deixou muito abalada - as situações que passei eu não desejo ao meu maior inimigo! Mesmo assim eu não havia contado a ninguém de casa o que tinha acontecido. Bom, num dia eu fui a padaria com a Malu e ela começou a me perguntar:
-Bizu, onde está o Mascus (era como ela dizia Marcos)?
-Ah Malu, nós não estamos mais juntos... acabou sabe.
-Mas por quê??
-Porque tem coisas que não dão certo... - eu já não sabia mais o que dizer, vocês não acham difícil falar de amor com crianças? Mas mesmo sem ela ver que sua tia estava infeliz, ela disse algo que nuca esquecerei:
-Sabe Bizu, você deveria fazer ele chorar!
O conselho mais sábio que eu recebi...


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Quando nós finalmente adquirimos um computador, foi literalmente um evento aqui em casa! A pequena estava ao meu lado enquanto eu estava colocando um wallpaper dos personagens do Shrek. A Maria não pode se conter ao ver seu querido Gato de Botas e grita:
-OLHA, O GATO DE BOSTAS!!

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Essa a Márcia me contou ontem. Elas foram até o mercado e há uma calçada infestada de cocô de cachorro. A Má avisou a Maria para tomar cuidado em pisar nas fezes. A frase não poderia ser mais impactante:
-Ê Brasil cheio de merda!!!

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Outro dia, o Victor me perguntou por que meu apelido é Bizu. Eu expliquei quem me apelidou assim foi a Luciana, quando eu era recém-nascida. Originalmente era Biju, devido a um personagem de novela, mas com o tempo ele virou Bijuzinha,depois Bizuzinha e por fim, Bizu. Ainda complementei que Biju é nome daquele canudinho doce que acompanha nos sundaes. A Malu entra na conversa e complementa:
-Você é realmente um docinho Bizu!


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Hoje mesmo a Malu me tirou um pouco do sério. Tudo porque ela ficava chutando o jornal que eu tentava ler (não há nada mais sagrado pra mim do que ler jornal de domingo). Daí que fui mais incisiva com a menina e ela ficou magoada. Chegou pra mim e disse:
-Bizu, nóis precisamos conversar. Quando eu faço isso (e mexeu no jornal) é porque eu estou brincando, não precisa ficar brava comigo. Se você brigar comigo eu não vou ser mais a sua amiga.
E quem não consegue pedir desculpas depois de ouvir isso???

...

Porém até agora eu não entendi uma frase da Malu, talvez sua pérola mais reflexiva:

-Bizu, você é minha maior aventura!!!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Eu não sou nenhuma Saint

Eu não gostava do meu nome, Silvia, porque ele dá a impressão de batizar uma pessoa mais velha. Quando eu o ouço, me veem a cabeça a imagem de uma mulher de cabelo cor acaju, com óculos de aro grosso, aparência cansada e vestindo um tailler cafonérrimo (nossa, acabo de descrever a Dilma Roussef). O responsável por eu ser Silvia foi meu pai; num lance de total falta de criatividade ele colocou o nome da minha mãe em mim e isso acaba gerando confusões, principalmente quando ligam em casa e ninguém sabe se é para mim ou ela. Versão live action de Bob pai e Bob filho.

Acontece que até a primeira metade da década passada eu nunca vi Silvias com algum tipo destaque. As apresentadoras infantis eram a Xuxa, Mara, Mariane, Angélica - nenhuma xará... Havia sim uma personagem no -Tim-Bum (Tv Cultura), a cobrinha Silvia, de dois famosos bordões: "o meu nome não é Silvia, é Sssssssssssssssssilvia" e "da próxima vezzzzzzzzz, eu te pego". Não posso ser injusta e esquecer de citar uma apresentadora que marcou época, embora fosse de um programa direcionado a um público mais velho: a Silvia Poppovick (Band). Era comum fazerem piadinhas devido a semelhança dos sobrenomes :"ah você é a Silvia? Silvia Pupovick?" Lembram de alguma atriz com esse nome? Tirando do baú tem a Silvia Bandeira (que era coadjuvante do coadjuvante do coadjuvante) e a Pfeifer (que nunca mais vi atuando). Trauma maior foi saber, no colegial, que existe uma atriz pornô chamada Sylvia Saint!!! Para seus fãs, ela é mesmo uma santidade... "Silvia, eu sei que você 'Saint' muito..."- sinto uma raiva do caramba por esse trocadilho cretino¬¬.

Mas o momento de reconhecimento chegou!!!! Tudo começou com a personagem feita pela Alinne Moraes na novela "Duas Caras" (ok, a Silvia era uma psicopata, mas pelo menos já era antagonista do horário nobre). Nos cinemas tivemos duas cinebiografias em que Sylvias foram brilhantemente apresentadas. A primeira em 2003, "Sylvia - Paixão Além das Palavras", tem como protagonista Gwyneth Paltrow. A história de Sylvia Plath, uma das mais famosas novelistas da literatura norte-americana. Nascida em Boston durante a Grande Depressão, Sylvia ainda jovem tentou cometer suicídio, na casa de sua mãe. Ela viaja à Inglaterra para estudar em Cambridge e lá conhece o jovem poeta Ted Hughes (Daniel Craig, vulgo 007), por quem se apaixona e vive um longo romance. O segundo foi "Em Busca da Terra do Nunca", no qual Johnny Depp é J.M Barrie, autor de peças teatrais, que apesar da fama que possui está enfrentando problemas com seu trabalho mais recente, que não foi bem recebido pelo público. Em busca de inspiração para uma nova peça,Barrie a encontra ao fazer sua caminhada diária pelos jardins Kensington, em Londres. É lá que ele conhece a família Davies, formada por Sylvia (Kate Winslet), que enviuvou recentemente, e seus quatro filhos. Barrie logo se torna amigo da família, ensinando às crianças alguns truques e criando histórias fantásticas para eles, envolvendo castelos, reis, piratas, vaqueiros e naufrágios. Inspirado por esta convivência, Barrie cria seu trabalho de maior sucesso: Peter Pan. Dica da Shil: tenha ao lado um caixa de lencinhos...


E a escalada "silvística" chega à música. Basta de Camisa de Vênus nos chamarem de piranha!Agora sei que o rei Elvis e Chiquito Buarque têm lindas canções com nosso sagrado nome. E há uma cantora que fisgou meu coração, ela pegou, pegou , pegou no meu pé! Silvia Machete, simplesmente mulher, tem um talento circense, linda voz, falta de pudor e ares de atriz. Ela não se limita a cantar: em cima do palco Silvia assobia, toca violão, rebola o bambolê, fuma um baseado (de orégano) e toma um drink. Adotei suas interpretações como hinos - afinal, são músicas safadas para corações românticos! Não seria exagero dizer que graças a Machete, eu tenho orgulho em ser Silvia. "Eu não sou nenhuma santa"