Mostrando postagens com marcador Noah Taylor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Noah Taylor. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Arte de viver

Em 1999, o grupo de rock australiano silverchair lançou seu terceiro álbum, Neon Ballroom. Sucesso de público e crítica, o disco confirmava o amadurecimento de seus integrantes, um trio formado por Daniel Johns (vocal e guitarra), Chris Joannou (baixo) e Ben Gillies (bateria), que no início da carreira era chamados de maneira jocosa de "Nirvana de pijamas". O quarto último single escolhido por eles, "Emotion Sickness", é o ponto de partida para esse texto. 


Essa canção conta com a participação do pianista australiano David Helfgott, cuja história virou uma ótima cinebiografia. Dirigido por Scott Hicks e lançado em 1996, o filmes Shine-Brilhante é estrelado por Noah Taylor (na primeira fase) e Geoffrey Rush (na segunda). E lá vamos nós com minhas histórias de "uma coisa leva a outra" ( o título desse texto poderia ser "De silverchair a David Helfgott"). Eu não me contento com a superfície, quanto mais eu puder saber sobre as influências das minhas bandas favoritas, filmes e livros, mais satisfeita eu fico. É um prazer que eu guardo só pra mim ( e agora divido com vocês). Há certas pessoas que não vêem graça nas coisas que eu gosto, assim eu fico denominada "a diferente". Eles preferem aquele entretenimento drive thru: viu, pegou,experimentou e esqueceu. Não entra na minha cabeça tal atitude. Cada experiência fica guardada na minha memória afetiva e nunca perco a oportunidade de rever,rever,rever, over and over again. Olha lá eu mudando os rumos do texto. Voltemos a proposta inicial. 




Apesar de eu conhecer a história da colaboração de David Helfgott com o silverchair há 14 anos, eu só fui assistir Shine domingo passado!!! Sim, aqui em casa há o dvd do filme e o mais curioso: ele não me pertence! Ele é da minha irmã mais velha, a Márcia. Questionei o motivo dela tê-lo comprado e sua resposta foi de que a doutora Isabel (a psicóloga dela) sugeriu esse filme para a terapia. Lendo a sinopse do filme dá para entender a escolha: a trama joga os holofotes na conturbada relação entre pai e filho. O pai é um opressor, um tanto quanto manipulador e que projetava no filho tudo aquilo que ele queria ser mas não conseguiu. Considerava-se um homem forte, contrastando com a aparência frágil e mirradinha do seu filho mais velho. Ele encarregava-se de ensinar David a tocar piano desde muito cedo,tornando o menino um prodígio. Ele rompeu aquela barreira de pai incentivador para tornar-se um verdadeiro controlador. 

Confesso que ao ler o resumo do filme na contra-capa do dvd eu imaginei um filme com cenas fortes, no sentido de serem violentas, mas não é bem assim. O diretor foi bem sutil, usando mais da violência psicológica do que violência física, além de gestos e expressões dos atores falarem mais do que qualquer diálogo. São atuações sucintas, pois cada ator sabia o momento certo de brilhar. E claro, como o protagonista toca piano, a trilha sonora é puro deleite. 



Vale ressaltar que Geoffrey Rush não usou nenhum dublê, ele mesmo tocou em cena. Mais do que merecido o prêmio de Oscar de melhor ator pelo papel. Se vocês não estão ligando o nome a pessoa, Geoffrey faz o Capitão Barbossa na franquia "Piratas do Caribe" e também está "O Discurso do Rei". Outra coisa boa foi eu ter redescoberto o Noah Taylor. Enquanto eu assistia ao filme, ficava esse mantra na minha cabeça, "eu já vi esse rosto,já vi esse rosto..."e záz, era verdade! Ele foi o pai do Charlie em "A Fantástica Fábrica de Chocolate" do Tim Burton, participou de "Quase Famosos" (outro filme típico da Shil). O rosto dele é de uma fragilidade impressionante, não aparentando ter 27 anos (na época em que o filme foi lançado). Ah, esqueci de mencionar: David é louco. No sentindo literal mesmo, pois a pressão do pai e sua obsessão pelo piano o enlouqueceu. No filme não fica muito bem claro de qual doença ele sofria, mas posso garantir que o Noah fez de um modo muito competente, sem carregar nas tintas. Nada de estilização da loucura. O vídeo acima deste parágrafo contem minha cena preferida, definitivamente mergulhei no filme durante sua exibição. 

E vejam só como o mundo é realmente pequeno. O Noah aparece em clipes do Nick Cave e do Blur, artistas que não saem do meu playlist. Definitivamente esse negócio de uma "uma coisa leve a outra" vai me enlouquecer.

vou confessar que já ensaiei os passinhos dessa dança, em frente ao espelho


Galeria de fotos:


Esse é o David, simpático não?

Geoffrey em cena

eu acho essa capa tão simples, mas representa tão bem a sensação de liberdade!