quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão


No dia 29 do mês passado a Globo tinha exibido no Domingo Maior o filme X-Men III - O confronto final. É um bom filme ruim. Sim, eu não gosto muito dessa terceira parte. Eu não conheço muito as histórias dos mutantes pelas HQ's, talvez minha maior referência seja mesmo aquele desenho exibido pela TV Colosso. Mas não posso negar que os dois primeiros filmes da franquia foram muito bons. São ótimos exemplos de filmes pipocas mas com conteúdo. Eu sei que o diretor de X-Men e X-Men II, Bryan Singer, fez algumas alterações nos personagens, como uma Vampira com toques de Jubileu e ele ter colocado ela pra namorar o Homem de Gelo em vez do Gambit. Mas mesmo assim eu tenho um xodó por esses filmes. O primeiro eu assisti quando estreou na Tela Quente, em abril de 2002. Eu simplesmente caí de amores pelo Wolverine/Hugh Jackman (e qual mulher em sã consciência não cairia?). Devo aqui confessar que tenho fetiche por duas partes da anatomia masculina: as "saboneteiras" (aqueles ossinhos dos ombros) e o nariz! O cara pode ser o que for, mas tem que ter nariz bonito! Futuramente farei uma lista dos narizes mais lindos, hahahaa. Foco, voltemos ao foco do post. Pode parecer besteira, mas além das boas cenas de ação e do embate entre as ideologias do Xavier e Magneto (Sir Ian McKellen, magnífico), o que mais me chamou atenção foi a relação de amizade (chegando a ser algo fraternal) entre o Wolverine e a Vampira. A identificação pode ter ocorrido pela Vampira ser retratada como uma jovem ( e eu na época ia completar 16 anos); segundo que eu achava muito interessante a história dela, de não poder tocar as pessoas sem ferí-las. Automaticamente me lembrou dois outros personagens adoráveis: o Edward Mãos de Tesoura e o Ned da extinta série Pushing Daysies. Era inconcebível para mim uma pessoa não poder beijar, abraçar, andar de mãos dadas. Parece tolo, mas se a intenção do Synger era explorar esse lado triste da Vampira, parabéns ele me fez comprar a ideia. Como o próprio professor Xavier explica, a Vampira pode ser um perigo para ela mesma! E o Wolverine, um verdadeiro andarilho, que não sabe (ou sabia) nada a respeito do seu passado, que prefere viver sozinho, mesmo assim ele foi solidário com a jovem Marie. Novamente, não sei o quanto o diretor mudou as histórias desses personagens, mas no filme o enrendo envolvendo os dois funcionou perfeitamente. Diga-se de passagem, o Hugh fez do Wolverine um personagem bem mais interessante, não o representando apenas como um ser selvagem desacerebrado. Esse papel na mão de outro ator não fluiria. Momento mais marcante para mim? A cena dos dois na estátua da Liberdade. E o Synger conseguiu elevar o nível na sequência, lançada nos cinemas em 2002. Ele deixou a Vampira meio de lado e focou na Jean Grey. O roteiro fluiu de tal forma que os novos personagens foram introduzidos de forma natural, sem forçação de barra ou correria. As cenas de lutas continuaram ótimas, especialmente a invasão do Noturno na Casa Branca, a Mística entrando na fortaleza do Stryker e o embate entre o Wolverine e a Lady Lethal. O modo sutil que o filme critica o militarismo estado-unidense e a política de "prevenção' contra "as forças do mal" foram muito bem explorados. Uma pena que o Synger não tenha continuado no terceiro filme, indo assumir a direção do mediano "Superman - O Retorno". O final da franquia caiu nas mãos do Brett Ratner e na minha humilde opinião, a receita desandou. Uma coisa que eu não gosto nesses filmes é quando eles querem introduzir personagens de qualquer maneira, sem nenhuma explicação lógica. Um caso por exemplo foi a apresentação do Fanático. Outros ficaram só para preencher espaços, não acrescentando algo de diferente à trama (o Homem de Gelo, Vampira e a Lince Negra formaram o "triângulo amoroso" mais insosso dos cinemas, Colossus entrou mudo e saiu calado, o Pyro que tinha potencial para ser mais desenvolvido foi apenas um capanga do Magneto -  e que luzes horríveis eram aquelas no cabelo do menino???!!!). Personagens legais dos filmes anteriores simplesmente sumiram sem nenhuma explicação (como o Noturno), ou perderam relevância, premiados com pouquíssimas cenas (caso da Vampira e da Mística)  e a atriz que interpretou a Jean Grey/Fênix estava no piloto automático. Justo ela que estava tão bem no filme anterior!!! Pelo que percebi o Ratner não é um bom diretor de atores, mas também errou a mão em algumas cenas de ação. Principalemente na cena em que o Magneto eleva a ponte durante o dia e quando chega ao local onde está o mutante que promove a cura...tchans! está de noite! Tá, muitos defendem que era por-do-sol, mas gente, ainda não tinhas sinais que a noite chegaria e a prisão não era tão longe assim! Tudo bem, o Nolan cometeu erro semelhante em The Dark Knight Rises. 

Todo debate sobre a cura foi jogado para escanteio em prol de cenas de lutas. Nos filmes anteriores havia um equilibrio, um timming certo para deselvover e fazer o espectador refletir sobre a questão mutante e se divertir com as cenas de ação. Mas esse filme como um todo recebe uma nota 6,5. Um ator em particular me chamou muito a atenção: Ben Foster, que assuniu o papel do Anjo. Não muito pelos dotes de interpretação porque ele foi um daqueles que entrou mudo e saiu calado. Mas desde a primeira vez que vi a foto dele na revista SET eu pensei: nossa, esse cara lembra o Layne Staley, o falecido vocalista do Alice in Chains. Tá, vocês podem achar que é viajem minha, afinal o Ben é muito lindinho comparado à aparênica junkie do Layne. Mas mesmo assim, essa semelhança não saia da minha cabeça. Eu fiquei mais convicta que eles poderiam ser (vai lá) primos de primeiro grau quando vi um filmaço chamado "Os Indomáveis". É um western muito bacana, com o Chris Bale (eeerr, Batman) e Russel Crowe (o Gladiador) nos respectivos papéis de um fazendeiro cocho e falido e um perigoso e astuto bandido. E o danado do Ben Foster consegue destaque e rouba a cena como o comparsa do Crowe. Ele é muito rude, cruel e aparece sujo de terra, como se fizesse parte do ambiente hostil em que vivia. Pronto, eu já decidi: eu quero uma cinebiografia do Alice in Chains e o Ben Foster é meu Layne Staley! Hollywood ama uma biografia de músicos ou filmes com um conteúdo musical (Ray, Johnny e June, The Wonders, Velvet Goldtime, Quase Famosos, etc), qual mal faria se mais um fosse produzido?



Acima Layne e abaixo o meu eleito para representá-lo, Ben Foster

Confesso que meu projeto seria mais ambicioso: transpor para as telas "Mais pesado do que o céu - uma biografia de Kurt Cobain". Porém existe uma pedra chamada Courtney Love que com certeza meteria o bedelho na produção. Imagine as brigas homéricas entre ela, os produtores e os ex-integrantes do Nirvana (Dave e Krist)? Uma pena, porque eu já teria escalado o meu ator para viver o Kurt: Ryan Gosling. Além de certa semelhança física, ele é um ator competentíssimo, assistam Drive e depois me retornem! 


"Load up your guns and bring your friends..."


Mas um filme sobre o Alice in Chains, focado principalmente entre a amizade entre o Layne e o Jerry Cantrell (guitarrista) não seria nada mal. Primeiro que seríamos premiados com uma reconstituição do início dos anos 90, tão efervecente para o mundo do rock. Só no ano de 1991 fomos premiados com "Metallica" (o álbum negro), "BloodSugarSexMagik" dos Peppers, "Nevermind" do Nirvana, "BadMotorFinger" do Soundgarden, "Out of time" do REM e "Ten" do Pearl Jam. O filme não poderia ter um tom documental. Eu queria que ele tivesse uma fotografia e montagem que lembrasse os videoclipes da época. A câmera deveria passar aquela sensação de que está muito próxima dos personagens (mais ou menos como ela se comporta em Cidade de Deus). Como já citei, o legal seria um roteiro focado na amizade entre o vocal e guitarrista, com direito a flashbacks da infância deles antes de se conhecerem. O auge da carreira do Alice entre 1990 e 1994, os problemas com drogas, brigas internas e por fim o falecimento precoce do Layne em 05/04/2002 seriam registrados. Eu fiquei pensando qual seria o diretor para colocar isso nas telas. 


O primeiro nome que me veio foi do Cameron Crowe, que já dirigiu "Singles - Vida de Solteiros". Apesar do nome soar de um filme de comédia romântica, a história tem uma fictícia banda grunge de Seattle, o Citizen Dick. Inclusive o próprio Alice in Chains fez uma aparição nesse filme, tocando numa festa o sucesso "Would" (que faz parte da trilha sonora). Como o Cameron já se aventurou por esse universo, nada mais natural do que ele assumir a biografia do Alice. Outro diretor que tem minha simpatia é o Guns Van Sant. Já viram o clipe de "Under the Bridge", dos Peppers? Então, foi ele quem dirigiu. Eu acharia bárbaro se ele usasse o mesmo estilo de fotografia do clipe (meio etérea, como se as pessoas estivessem entre uma neblina suave) no filme. 


Ele também foi o diretor por trás de filmes como "Gênio Indomável", "Elephant" e "Ken Park"...ah, e filmou o clipe "Weird" dos Hanson, rs. Como título, eu tenho uma grande (porém ótima) dor de cabeça. Poderia ser "We die young", faixa de abertura do álbum "Facelift", por razões óbvias (Nós morremos jovens). Mas se a amizade é o fio condutor da narração, acho nada mais justo ser "No excuses", uma das mais belas músicas composta pela dupla e muito significativa para seus autores e por mim também (não consegui postar o vídeo da música, vai então a letra apenas):


Sem Desculpas

Está tudo bem
e então chega uma hora
Não tenho paciência para procurar
Por paz de espírito

Me acalmando
Quero pegar leve
Não mais se esconder ou
Disfarçar as verdades que eu vendi

Todo dia algo
Me torna mais frio
Me encontro sentado sozinho
Sem desculpas que eu saiba

Tudo bem
Tive um dia ruim
Mãos estão roxas de
Quebrar pedras o dia todo

Cansado e triste
Eu sangro por você
Você acha isso engraçado, bem
Você está afogando nisso também

Todo dia algo
Me torna mais frio
Me encontro sentado sozinho
Sem desculpas que eu saiba

Sim, esta tudo bem
Andaremos na linha
Deixaremos nossa chuva
Uma troca fria por um brilho de sol

Você, meu amigo
Eu irei defender
E se mudarmos, bem
Te amarei mesmo assim

Todo dia algo
Tudo tão frio me acerta
Me encontro sentado sozinho
Sem desculpas que eu saiba

Bom, agora eu vou aprimorar meu roteiro para apresentar a algum executivo de Hollywood! Oscar 2014, aqui vou eu!

Adeus, estou indo para casa

Vocês já viram o filme "O Artista"? Ele foi o grande vencedor do Oscar® deste ano. Entre as categorias que levou a melhor destacam-se a de melhor filme e a de melhor ator para o mais que charmoso Jean Dujardin (pronuncia-se Dujárdan). Eu assisti ao filme uma semana antes da cerimônia de entrega do Academy Awards, lá no Center 3. Só de me recordar de algumas cenas eu já abro aquele sorrisinho tímido de quem esconde um segredo e de tão egoísta, quero mantê-lo só pra mim! Um sorriso tipo Monalisa, embora eu esteja mais para Monacrespa.  Voltando ao filme, eu posso afirmar que ele é um deleite para quem curte o cinema sem o menor preconceito. Eu sou suspeita para comentar, afinal eu adoro e tenho profundo respeito aos clássicos da sétima arte e "O Artista" tece uma bela homenagem a eles.  Pode ser filme de terror, comédia, drama, suspense, ficção científica, se o filme for honesto em sua proposta, com um roteiro bom e que faça o telespectador se envolver com a história, ele já ganha minha simpatia e vale o ingresso. "O Artista" já me conquistou pelo fato de ser filmado em preto e branco e retratar a década de 20 (se eu pudesse só me vestia como as mulheres dessa época). A história é o apogeu e queda do ator George Valentin (Dujardin), grande astro do cinema mudo. Tudo estava perfeito até o advento dos filmes com sons. Ele não aceita essa nova técnica e isso torna-se a sua derrota e entrada para o ostracismo, enquanto a simpática Peppy Miller, que começou como figurante dos filmes de Valentin, atinge de forma meteórica o estrelato. 





Mas o que me fez lembrar "O Artista" justo agora, quase oito meses depois de vê-lo? Minha identificação com George Valentin aumentou após minha demissão. A estrela dos filmes mudos estava em sua zona de conforto e (muito provável) sua arrogância e ego foram os maiores responsáveis para sua decadência. E eu que fui sempre tão centrada (e por muitas vezes burocrática) não dei continuidade a um aperfeiçoamento. Eu me contentava em ouvir que era boa no que fazia. Acredito que contribuiu em alguns aspectos, gostava de apresentar sugestões para tornar os procedimentos mais claros e práticos. Tínhamos muita autonomia e uma certa liberdade, que ocasionalmente muitos confundiam com libertinagem. 

O que ainda me deixou entristecida foi o motivo dado para minha demissão. Eu não teria mais o perfil que eles esperam. Opa, pera lá, conforme em uma das últimas reuniões, o plano da equipe ser "híbrida" foi adiado devido a não colaboração de algumas pessoas da equipe e eu fui uma, ou senão a única que tinha feito conforme combinado. E conforme meu último feedback, eu estava acima da meta estipulada. Não que eu fosse a perfeita. Me incomodava muito o modo como a equipe era gerida - não tínhamos mais feedbacks, nem reuniões, o que era acordado num momento era desfeito no minuto seguinte. Tinha muito de "entre nós dois", como se fossem favorzinhos. E a coisa começou a afundar porque eu já não escondia meu descontentamento e me sentia uma "off" do lugar (fatos já descritos no texto Ombro Amigo). Mas eu entendo que eu deveria ter me controlado mais e focar mais no que estava fazendo. Eu levo meu trabalho a sério, nunca precisei inventar historinha para justificar uma falta, sempre fazia de tudo para evitar atrasos, e só deixava de responder um e-mail após consultar meu supervisor. Mas eu era muito burocrática. Porém como eu iria conseguir uma autonomia, sendo que o próprio local não me inspirava segurança? Eu já estava no piloto automático. Talvez o motivo principal para minha demissão foi o meu comportamento. Eu reconheço que estava perdendo o controle e deveria fazer vistas grossas pra tudo que via. É, realmente, sincerocídio mata. 

Quero nesse momento descansar e levar uma vida "espartana+ateniense", ou seja, alternar momentos de turbinar o cérebro com a malhação! E realizar o que eu sempre gostei mas estava sem muito tempo: aproveitar o que há de mais simples na vida. Talvez seja  hora de eu rever "O Artista" para me inspirar no final do George Valentin (indico que vocês também vejam esse filme!). 

E por fim, agradeço todos os momentos vividos, bons e ruins, afinal como há numa música cantada pela Elis, "Vivendo e aprendendo a jogar, vivendo e aprendendo a jogar. Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo mas aprendendo a jogar"

Sugestão de trilha sonora:


Não há necessidade de você dizer que você está arrependida
Adeus, eu estou indo pra casa
Eu não ligo mais, então não se preocupe
Adeus, eu estou indo pra casa

Eu odeio o jeito que mesmo você
Sabendo que está errada, diz que está certa
Eu odeio os livros que você lê e todos seus amigos
A sua música é uma merda, ela me deixa acordado toda a noite

Não há necessidade de você dizer que você está arrependida
Adeus, eu estou indo pra casa
Eu não ligo mais, então não se preocupe
Adeus, eu estou indo pra casa

Eu odeio o jeito que você é tão sarcástica
E você não é tão esperta
Você pensa que tudo que fez é fantástico
A sua música é uma merda ela me deixa acordado toda a noite

E será bom ficar sozinho
Por uma ou duas semanas
Mas sei que estarei
De novo com você

Não há necessidade de você dizer que você está arrependida
Adeus, eu estou indo pra casa
Eu não ligo mais, então não se preocupe
Adeus, eu estou indo pra casa


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Marcos,Batman e o Homem de Capuz


Ontem pela manhã eu me deparei com uma cena bizarra: um cachorro fazendo cocô em pé! Ele parou ao lado do poste do vizinho, levantou a patinha como se fosse fazer pipi mas acaba soltando as esculturas! O dia promete, pensei. Eu estava calçando minha nova aquisição, um sapato de salto alto, vermelho, bem bonito mesmo. Já tinha feito a estreia dele no chá de bebê que aconteceu no domingo, mas nunca tinha percorrido grandes extensões no alto de 5 cm! Por isso optei em ir ao trabalho de ônibus do que descer até o Metrô (já pensou se eu viro o pé?). Cheguei e antes de passar a catraca fui perguntar à mocinha da recepção qual era o horário de funcionamento do DP (Departamento Pessoal). Minha meta era pedir minha demissão. Eu tinha das 10h às 16h para falar com eles, exatamente o horário do meu expediente. Subi até o meu andar. Eu já olhava os corredores como se fosse a última vez que passaria por lá, última vez que ouviria o piiii do relógio do ponto, retirar o ticket, abrir a porta que separa a operação do nosso andar ( e falar Avada Kedavra diante dela e encostar o crachá para abrí-la magicamente). Na primeira hora eu fiz minhas tarefas normalmente até que meu então supervisor me chamou para a salinha e me deu a notícia de que eu estava sendo desligada. Não cabe ainda escrever minhas impressões sobre o motivo da minha demissão, mas me soou muito familiar com um dos temas da HQ (que também virou filme) Watchmen. Qualquer semelhança com o Ozzymandias, não é coincidência. Claro que por um lado eu fiquei chateada, como se a palavra "loser" tivesse surgido na minha testa. Porém uma pessoinha já me disse que é preciso ver o lado bom dos acontecimentos, por mais ruins que eles possam parecer. Agora pelo menos eu não tenho mais crises nervosas. ( Passado o calor da demissão, escreverei mais, para não soar muito injusta).

Fui embora pra casa e lá estavam minha mãe e o Gá. A Luciana foi levar o Rô ao médico e precisou novamente do nosso auxílio. Devido a isso que eu e mamis não conseguimos sair mais cedo para ir à noite de autógrafos que o Marcos, ex-goleiro e eterno milagreiro Palestrino que faria ao lado do Mauro Betting na Saraiva do Shopping Eldorado. Primeiro lugar, porque ir num shopping que fica lá na casa do chapéu (de acordo com meu ponto de vista) ???!! Segundo que os funcionários do metrô, CET e guardas de trânsito em geral não sabem passar uma simples informação de como chegar em tal lugar!!! Foram 3 informações diferentes e todas erradas! Eu só tinha ido uma vez ao Eldorado, no longínquo ano de 94 para ir ao parque da Mônica e obviamente não me recordaria do caminho. Resultado: ao chegarmos no local, havia uma fila quilométrica, dificilmente todos sairiam de lá com o autógrafo do Marcão. Uma pena, minha mãe estava empolgada para vê-lo. Apesar dela ser são-paulina, ela tem uma simpatia imensa pelo Marcão (mas quem não tem, né?). Bom, não teria jeito, resolvemos voltar pra casa. Pegamos um ônibus que iria até o metrô Paraíso. Confesso que estava tão "p" da vida que nem olhava para o lado de fora. Mas depois me toquei que estávamos na Avenida Paulista, mais precisamente em frente à estação Consolação. Fiz o irresistível convite de ver o filme do Batman lá no Center 3. E lá fomos nós. Sessão das 20h, ainda dava tempo de comer um lanchinho (eram 19h30). Entre uma mordida e outra no meu sanduba, eu ia trocando sms com o Ráfaga (mal saí e ele já sente a minha falta). 

Na sala estava tudo normal, exceto o fato da minha mãe ter reparado num sujeito sentado bem na poltrona central, com um moleton preto e o capuz cobrindo o rosto. Vixi, f#deu, é hoje que vou morrer! Não estava nem frio dentro da sala para o cara estar vestido daquele jeito. Só poderia ser uma assassino-maníaco-biruta que daria o cabo na gente! Os trailers rolando na tela e eu lá com minha atenção toda voltada ao comensal da morte. E  agora? Se ele atirar, eu saio correndo (estava sentada na cadeira do corredor) ou me abaixo??? Seria mais heróico me jogar na frente da mamis para ela não levar um tiro?? Ó céus, nunca pensei que ser morta num massacre seria tão complicado! O filme começa e conforme ele vai sendo exibido, eu consigo relaxar. O homem abaixa o seu capuz e revela ser um careca, igual ao Bane!!! Eu até sentei mais pra ponta da poltrona pra ver se ele também tinha alguma focinheira. Não, mas ele sempre sentava mais pra frente em todas as cenas de tiroteiro. Obviamente para imitar o ídolo na matança que ele está planejando executar em instantes. O fim do filme chegou, sobe a trilha do Hans Zimmer, minha mãe enxuga algumas lágrimas e vamos embora. O comensal da morte continuou por lá, sem se mexer. A cereja do bolo foram as mensagens trocadas por mim e pelo Ráfaga:

"Sinto desapontá-lo, mas sobrevivemos!"
"Aaaaaaah :-( Nao eh possivel que o cara que eu e o Marcelo contratamos arregou!"

Obs: ah, faltou comentar um fato que prova como eu sou a mina! Eu tinha informado que estava calçando um sapato com um salto de aproximadamente 5 cm, certo? Todos sabem que eu sou o desastre ambulante, vide a minha falta de intimidade com saltos! Pois bem, quando voltei pra casa, eu troquei o salto por um sapatilha para evitar possíveis dores, supondo que ficaríamos em pé na fila por um bucadinho de tempo. Acontece que quando eu fui me despedir da minha irmã, eu consegui a proeza de virar meu pé, mesmo usando uma sapatilha sem nenhum saltinho!!!!! 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ombro amigo

Hoje eu fiquei em casa. Minha irmã ligou avisando que ocorreu um problema no pagamento do marido dela (policial aposentado) e depois de ser transferida para trocentos setores em uma ligação, ela teve de comparecer em um local próximo ao metrô Armênia. Nisso eu fiquei com meus sobrinhos Malu, Gá e o meu cunhado em casa. 

Já faz algum tempinho que eu ando num estado de incertezas. Não sei até quando aguentarei essa situação. Eu sempre penso que aprendi a lição e até chego a criar um padrão para evitar certos tipos. Mas não dá certo e volto para recuperação. Porque não posso controlar a vida. Afinal, nem eu mesma me controlo. Nós sabemos, já vem na bula da vida que vamos nos decepcionar com as pessoas, principalmente com aquelas que pensamos conhecer bem. Mas não podemos começar qualquer tipo de relacionamento (seja amoroso, de trabalho ou de amizade) já projetando o fim. O fim já chegou pra mim no início desse ano, mas teimamos em prorrogá-lo desastrosamente. É um jogo de gato e rato, de provocações e cinismo que acabou gerando uma estafa! E no fim eu chego à conclusão de que tudo foi mentira. E como há exatos 1 ano eu era a pessoa mais feliz do mundo, por estar num bom emprego, me sentindo útil, ter amigos maravilhosos e que a família estava por perto, mesmo que com alguns sobressaltos. 

Mas hoje percebo me com uma auto-estima chegando ao zero absoluto e tudo porque eu me importo demais com a opinião daqueles que eu julgava importante. Eu não deveria dar a mínima pois eu sei que você mente, dissimula e fala mal de todos para todos sem a maior cerimônia, fazendo um pensar mal do outro. Eu já estava perdendo os cabelos. Olha pra frente Shil, porque não vale a pena. Agora eu sei realmente como o Sam se sentiu quando o Frodo o expulsou e preferiu  companhia do Gollum rumo à Mordor. "It was a slap in the face". Qualquer um poderia ouvir suas historinhas, qualquer um poderia prestar atenção ao seu papo cheio "ética, moral e blábláblá", é só alguém se aproximar para você arreganhar sua vida!Eu não era sua amiga, apenas um par de ouvidos pra você jogar conversa fora. Me snto tão idiota por chorar tanto, mas tanto. O problema sou eu, só pode! Mas eu sempre tenho que confiar desconfiando? 

O que restou de mim? Não posso conversar com ninguém sobre os meus receios (mas você pode, né?), não posso expor qualquer ideia, não posso rir, não posso questionar mesmo falando do modo mais educado do mundo. Fico com dores de cabeça só de pensar que tenho que falar algo com você e ser mal interpretada, por que seu lema comigo agora é "cala a boca e obedeça". E eu nem preciso chorar as pitangas porque todos já estão vendo o que você está fazendo comigo. 

Mas o que toda minha lamúria tem a ver com o primeiro parágrafo? Ninguém da minha família sabe desse meu pequeno grande problema. Me sentiria uma fracassada ao contar isso pra minha mãe. Hoje fiquei muito sensível pela manhã, talvez pelo pouco caso ao telefone e também por ter revirado um pouco da minha vida em pastas guardadas no meu armário. A Maluzinha estava na sala, vendo Art Atack e eu fui tomar banho. Saí e fui ao meu quarto com o olhos segurando as lágrimas. Minha sobrinha entra e percebe. Bizu, você está chorando??? Não meu bebê, é que caiu espuma nos meus olhos (sou péssima pra criar mentiras). Sentei na cama e fiquei olhando pra baixo. A Malu pegou um paninho dela e deu para eu secar as lágrimas. Ai Bizu, só eu pra te ajudar. Toma, pra você ficar melhor ( e me dá um travesseiro em forma de coração escrito "Te quero bem"). Depois ela me abraçou tão forte que consegui esquecer dos meus problemas por um instante. Uma pena que eu não possa levar a Maria Luiza na minha bolsa para que eu sempre lembre que há um ombro amigo sincero.